"Na vida real, você nunca me traz flores
Quando você está aqui, fica apenas uma hora
Estou me acostumando a ficar sozinha."
Fran:Não acredito que você tá me obrigando a fazer isso.-Resmunguei.
Mamãe:Você sabe que é pro seu bem Francisca.
Fran:Não! Não é pro meu bem! Eu. Não. Quero. Ir! Dá pra entender?
Mamãe:Mas você vai! Escuta, são só alguns... meses, depois você volta.
Fran:Meses? Eu vou ficar um ano lá mamãe! Não são alguns meses! São todos os meses!
Mamãe:Você aguenta.-Afirmou fechando minha mala.
Fran:Eu não quero ir mamãe, você sabe disso, eu detesto ele!
Mamãe:Ele é teu pai Francisca.
Fran:Ele não é e nunca foi meu pai tá bom? Pai é quem cria, não quem abandona. Meu pai nessa historia é o Charlie entendeu?
Mamãe:Juro que eu não sei a quem você puxou esse gênio.
Fran:Talvez a você não acha?
Mamãe:Toma um banho, coloca uma roupa de frio e desci. O Charlie vai levar você, a Jennifer e a Miley.
Fran:Mais mãe...
Mamãe:Sem mais querida.-Disse me dando um beijo na testa e saindo em seguida.
Bufei irritada e me joguei na cama. Vou resumir a historia pra vocês: Meu "pai" largou a mim e a minha mãe, quando eu tinha cinco anos, ele nunca apareceu, nem pra me visitar, não ligava, não mandava cartas, nada. Eu achei que ele fosse me ver quando eu fui internada em uma clinica pra gente louca, mas não, ele não foi, eu fiquei meses lá e só as minhas amigas tinham coragem de ir me ver, até a mamãe tinha medo de que eu machucasse ela. Eu precisava dele e ele simplesmente me ignorou. Desde então eu ignoro ele, nunca atendo as ligações dele, não leio as cartas que ele manda e nunca abri os presentes que ele me mandou nos últimos três anos. Minha mãe diz que eu to sendo infantil, mas quem começou foi ele, ele que aguente.
Mamãe:Francisca vai tomar banho agora!-Mamãe gritou do andar de baixo.
Fran:Droga.-Murmurei.
Peguei uma tolha e fui pro banheiro. Tirei aquela roupa apertada e entrei no chuveiro, suspirei sentindo meus músculos relaxando enquanto a água fria escorria pelo meu corpo. Por que comigo? Eu sei que eu sou problematica, mas me obrigar a passar um ano, com aquele homem, já é crueldade. Tudo bem se eu fosse passar uma semana ou um mês, mas um ano? Não parecia que eu ia viajar e sim que eu estava sendo encaminhada pra algum reformatorio.
[ . . . ]
Charlie:Animada com a viagem?-Perguntou quebrando o silencio.
Fran:Qual é Charlie? Até parece que você não me conhece.-Disse rindo.
Charlie:Vamos sorriso, se anima!
"Sorriso" foi o apelido que ele me deu, um mês depois de começar a namorar a mamãe. Charlie sempre foi o meu preferido, ele não ronda a gente sabe? Se você tá com problemas, ele te ajuda, te ouve, ele sabe respeitar seu espaço. Ele ama a mamãe e me ama também, ele é o pai, que o meu "pai" deveria ter sido.
Fran:Impossível, você sabe que eu só to indo porque a mamãe me obrigou.
Charlie:Olha o lado bom, você vai ter um irmão da sua idade.
Fran:Ah ok, agora fala o lado bom.-Disse e ele riu.-É serio.
Charlie:Você vai poder contar as coisas pra ele, ele vai te proteger. Eu sei como é, também tenho uma irmã mais velha e até hoje ela me aconselha.
Fran:Atá, é ruim de eu me dar bem com ele.
Charlie:Fran, mesmo você não querendo, ele é seu irmão.
Fran:É nada.
Jenn:É sim. Não de sangue, mas a mãe dele é casada com o seu pai e isso faz de vocês irmãos.-Disse Jenn, se pronunciando pela primeira vez desde que eu entrei no carro.
Fran:Faz nada, ele não é meu irmão de sangue, então não conta.
Charlie:Claro que conta, irmão de coração oras.
Jenn:O Charlie tem razão e outra: você nem o conhece ainda, pra odiar ele, tem que parar com isso Fran.
Fran:Isso o que?
Jenn:Odiar as pessoas que são amigas do seu pai.
Fran:O meu pai tá aqui, dirigindo o carro.-Disse fria.
Jenn:Tava falando do seu pai biológico.
Charlie:Ela tem razão.
Bufei irritada e coloquei meus fones de ouvido, cansei de ouvir eles contra mim. Eu sei que eu não conheço esse garoto, mas foda-se, ele não é e nunca vai ser meu irmão e além do mais, eu tenho que ficar bem longe dele. Eu posso acabar gostando dele e me apegando a ele e isso não é nada bom, porque eu sei como essa historia de "se apegar" termina. Fechei meus olhos e não demorou muito pra eu apagar.
[ . . . ]
Jenn:Fran, acorda! Agente chegou.-Me sacudiu.
Fran:Droga, achei que fosse um pesadelo.-Resmunguei e ela riu.
Sai do carro e nós tiramos nossas malas, a Miley tava com um lado do rosto marcado pelo janela do carro e o cabelo um pouco bagunçado, ri e me aproximei dela.
Fran:Arruma esse cabelo.-Disse rindo.
Miley:To com fome e com sono.-Comentou me ignorando.
Fran:Aff! Deixa que eu arrumo.
Passei a mão pelo cabelo dela, abaixando um pouco, depois dei um beijo na bochecha dela. Me virei para o Charlie e o abracei com força.
Fran:Vou sentir sua falta.
Charlie:Eu também sorriso.
Fran:Cuida da mamãe e não deixa ela fazer besteira.
Charlie:Como se ela fosse me ouvir!-Disse e nós rimos.
Peguei a minha mala e comecei a caminhar, com as meninas do meu lado.
Charlie:Se cuida!-Ouvi ele gritar.
Fran:Pode deixar!
Entramos no aeroporto, fizemos todos os procedimentos necessários e finalmente embarcamos, não demorou muito e o avião decolou. Olhei pela janelinha, vendo a cidade lá embaixo e já sentindo os primeiros sinais de saudade, eu sentiria saudade de lá. Me virei e cutuquei a Miley, a Jenn já tava dormindo.
Miley:Oi?
Fran:Eu quero voltar Miley, não quero ver ele.-Confessei.
Ela sorriu e me puxou delicadamente, fazendo minha cabeça tombar no ombro dela.
Miley:Você aguenta. Lembra daquela vez que a gente ficou trancada na escola o final de semana inteira?-Perguntou risonha.
Fran:Tem como esquecer?-Ri.
Miley:Então, você aguentou, quando a Jenn teve aquele ataque claustrofobico, você ajudou ela, você controlou a situação. Manteve a calma e no final, agente saiu. Pensa assim nessa viagem, um ano passa rápido.
Fran:É, são só doze meses.
Miley:Doze meses passa rapidinho e além do mais, fiquei sabendo que você tem um irmão.
Fran:Miley...
Miley:Ele é gostoso?
Olhei pra ela com aquela cara de quem acabou de ver quem não devia pelado.
Fran:Nem pensa, ele é meu irmão e a ultima coisa que eu quero é ser tia. Sossega esse fogo.
Miley:Eu não quero ele assim!-A olhei.-Tá bom, talvez, só quero saber se ele é bonito ciumenta!
Fran:Deve ser sei lá, eu vi umas fotos da mulher do Dylan.
Miley:Serio, você é a única pessoa que chama o pai pelo nome.
Fran:Me deixa e fica longe do meu irmão.-Resmunguei a ultima parte.
Miley:Ciumenta. Depois diz que odeia esse guri ai.
Fran:Eu não odeio tá? Nem conheço ele.
Miley:Mas já tá de ciume bobo.
Fran:Argh! Tá bom! Eu vi umas fotos dele.
Miley:Ele é gostoso?
Fran:Porra Miley, para de ser tarada.
Miley:É só curiosidade ciumenta.
Fran:Não sou ciumenta.
Miley:Então por que essa carinha emburrada neném?-Fez voz de bebe.
Fran:Para Miley, eu só não quero que você fique com ele ok? Porque eu sei como termina essa historia de amiga, namorando irmão de outra amiga.
Miley:Ah é? Como?
Fran:Vocês namoram, terminam e você nunca mais fala comigo.
Miley:Dramática! Relaxa, não quero nada com o seu maninho.
Respirei fundo e fiz a perguntava que tava me sufocando.
Fran:Será que... que ele sente minha falta?
Miley:Ele quem?
Fran:O Dylan.
Miley:Claro! Você é a unica filha mulher dele, qual é? Tu é a princesa.
Fran:Ok, esquece isso. Boa noite, te amo miles.
Miley:Boa noite piranha, também te amo.
Sorri e me ajeitei na poltrona, fechando os olhos em seguida. Talvez o Charlie esteja certo, talvez, talvez, eu queira ter um irmão mais velho, alguem que cuide de mim, sei lá, besteira. Senti meu corpo relaxando e o sono me invadindo.
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